domingo, 17 de janeiro de 2010

FILME INDICADO PELO LUIZ VALLE

Amigos,
Como me interesso por todas as indicações de fimles por parte do Luiz, resolvi pesquisar este último "Cidadão Boilesen". Estou pretendendo ver esta semana. Para aqueles que se interessarem também, abaixo o que foi publicado sobre ele no JB:
Carlos Helí de Almeida, Jornal do Brasil
RIO - Em abril de 1971, o empresário dinamarquês (naturalizado brasileiro) Henning Albert Boilesen, então diretor do grupo Ultragás, foi executado por militantes da esquerda, acusado de financiar a repressão militar contra a guerrilha urbana. Sugerida em filmes (Pra frente Brasil, de Roberto Farias, Lamarca, de Sérgio Rezende) e peças (Sonata tropical, de Roberto Elisabetsky), a associação entre empresários brasileiros (particularmente os paulistas) e a ditadura militar (1964-1985), um tema tabu no país, é investigada a fundo no documentário Cidadão Boilesen, uma das atrações da 14ª edição do festival É Tudo Verdade, cuja versão carioca começa nesta quinta-feira, com a projeção para convidados de Domingos, de Maria Ribeiro. A primeira sessão do filme está marcada para dia 29, no Arteplex, às 20h.
Escrito e dirigido pelo jornalista Chaim Litewski, o filme tem como fio condutor a biografia do executivo, que veio para o Brasil no fim dos anos 30 e fez fortuna no país. Anticomunista ferrenho, Boilesen não só teria estado à frente da caixinha dos empresários que levantou fundos para financiar a Operação Bandeirantes (Oban) – a agência de repressão aos opositores dos militares – como também teria participado pessoalmente das sessões de tortura na sede do DOI-Codi de São Paulo. Cidadão Boilesen recorre a depoimentos de parentes, amigos, historiadores, políticos, militares e ex-integrantes da luta armada para traçar o perfil do controverso industrial, que frequentava as altas rodas e as colunas sociais e, supostamente, tinha o perverso hábito de visitar os porões da ditadura.
Há décadas os mistérios envolvendo a personalidade e a trajetória de Boilesen fascinavam Letewsk que, num primeiro momento, pensou em escrever um livro sobre o empresário. O jornalista chegou a recortar e guardar obituários publicados em jornais e revistas da época. Anos mais tarde, no entanto, soube da publicação de uma biografia do executivo na Dinamarca, intitulada Likvider Boilesen, de Henrik Kruger. Letewski desistiu de escrever um livro e começou a pensar num documentário biográfico sobre o dinamarquês.
– Cada descoberta só fazia aumentar meu interesse pelo personagem. Boilesen é um ser quase ficcional, parece que viveu uma dicotomia tipo Jekyll e Hyde, noite e dia – compara o diretor, radicado em Nova York. – O interesse por ele me acompanhou por muitos anos. Em 1994 comecei a me organizar no sentido de realizar um documentário sobre Boilesen e seu tempo. O grande problema de qualquer pesquisador é saber quando parar, botar um ponto final na pesquisa. Isso só aconteceu dois anos atrás, quando recebi a pasta dele do SNI (Serviço Nacional de Informações).
Sobre a memória de Boilesen pesam acusações consideradas absurdas pelo filho do empresário, um dos depoentes do documentário. Militantes da esquerda atribuem ao presidente da Ultragás a criação de um instrumento de tortura que emitia choques elétricos graduais, acionado por um teclado, que ficou conhecido como Pianola Boilesen. O empresário também teria sido colaborador da CIA, a agência de inteligência americana. Depoimentos de políticos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, religiosos como dom Paulo Evaristo Arns, ex-agentes da Oban, e ex-guerrilheiros são costurados numa tentativa de evitar a absolvição ou a condenação de um personagem vilanizado pela esquerda brasileira.
– De maneira alguma esse projeto deve ser visto, considerado ou percebido como revanchista ou revisionista. A ideia foi sempre incentivar o maior número possível de opiniões. Isso foi feito através de dezenas de entrevistas e fartamente ilustrado com cine-jornais, arquivos de TV, filmes de ficção, documentários, arquivos oficiais e particulares e outros materiais iconográficos – defende-se o diretor. – Não partimos de conceitos predeterminados. Os diferentes pontos de vista foram articulados e respeitados.
Não faz muito tempo, o Uruguai alterou a Lei de Anistia contra militares e a Argentina determinou que eles sejam julgados na Justiça Comum. Litewski espera que Cidadão Boilesen pelo menos contribua para jogar luz sobre um dos períodos mais tristes e obscuros da história brasileira recente:
– Para ser absolutamente sincero, não tenho ideia do tipo de impacto que esse documentário possa causar na sociedade brasileira. Espero que sirva para que se estude mais profundamente o tema. Isso já seria uma grande vitória.

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